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FIV: conheça as etapas de alta compelxidade da reprodução assistida

Publicado em 11/09/2024

Por Dr. Murilo Oliveira

Você tem o sonho de engravidar? E se você descobrisse que tem — ou seu parceiro tem — alguma condição de saúde que impeça a concepção da forma natural, aceitaria fazer um tratamento de reprodução humana? Essa é uma questão importante para refletir, principalmente quando está em pauta a indicação para uma fertilização in vitro (FIV).

As técnicas utilizadas no campo da medicina reprodutiva estão cada vez mais conhecidas e procuradas por casais com fatores diversos de infertilidade, feminina ou masculina. Entretanto, dúvidas sobre como funcionam essas técnicas ainda são muito comuns.

Nem todos sabem, por exemplo, que FIV e inseminação intrauterina são diferentes. Muitas pessoas usam o termo “inseminação artificial” de forma genérica para se referir a quaisquer tratamentos de reprodução assistida.

Essa área da medicina tem a FIV como sua técnica de alta complexidade, mas não se limita a ela. Outras técnicas são de grande utilidade para auxiliar os casais com fatores mais simples de infertilidade, incluindo o coito programado com indução da ovulação e a inseminação intrauterina.

A palavra-chave para definir o tratamento apropriado é individualização. É preciso olhar cada pessoa, cada casal com um olhar particular, compreender suas limitações e expectativas e, com base em todos os resultados de uma avaliação aprofundada, personalizar o tratamento.

Neste post, daremos foco à explicação do que é FIV e quais são suas etapas. Leia com atenção!

O que é FIV?

A FIV é uma técnica feita com controle minucioso, recursos avançados e diversos procedimentos laboratoriais para possibilitar a formação de embriões fora do corpo materno. Para isso, os gametas são coletados dos órgãos reprodutores da mulher e do homem, os óvulos são fertilizados em laboratório e transferidos para o útero materno depois de alguns dias de incubadora.

A primeira criança nascida com a ajuda da FIV veio ao mundo no final da década de 1970. Desde esse primeiro tratamento bem-sucedido, milhões de casais no mundo todo puderam realizar seu sonho de ter filhos após enfrentar dificuldades para fazer isso naturalmente.

Muitas pessoas que desconhecem a importância e a efetividade da FIV ainda lidam com resistência para aceitar passar por um tratamento de fertilidade. O caminho para flexibilizar essa visão e ampliar o leque de possibilidades abrange: informação, empatia, apoio médico e orientação individualizada.

Para muitos casais, a FIV pode ser a única forma para realizar o sonho de ter um filho. Portanto, não se trata apenas de um tratamento, mas de uma oportunidade para transformar vidas.

Antes de receber a indicação para a FIV, no entanto, o casal deve ser minuciosamente examinado e ser orientado sobre as formas de otimizar a fertilidade, ou seja, precisamos de uma preparação — em alguns casos, inclusive, a gravidez acontece antes mesmo do tratamento, uma vez que as chances de concepção foram maximizadas com estratégias simples, como as melhoras no estilo de vida.

Caso a gravidez não aconteça naturalmente, a FIV pode ser indicada nas seguintes situações: 

  • idade da mulher superior a 35 anos;
  • reserva ovariana reduzida, devido ao avanço da idade ou outros fatores;
  • endometriose;
  • infertilidade por fatores uterinos ou tubários;
  • infertilidade masculina;
  • congelamento de óvulos e embriões para preservação da fertilidade;
  • casais que precisam de ovodoação ou barriga solidária;
  • pessoas solteiras que buscam a reprodução independente;
  • casais homoafetivos.

Quais são as etapas da FIV?

A FIV envolve um processo complexo e controlado que segue vários passos. Veja quais são as etapas:

Preparação

Antes de qualquer tratamento de reprodução, é fundamental fazer uma investigação aprofundada da infertilidade do casal para descobrir todos os fatores presentes. Enquanto isso, também é preciso otimizar as condições reprodutivas para maximizar as chances de um resultado positivo.

Estimulação ovariana

A estimulação ovariana é a etapa em que a mulher recebe medicações hormonais para desenvolver mais folículos ovarianos. Quanto mais folículos desenvolvidos, mais chances de coletar um bom número de óvulos e formar embriões saudáveis. Todo o processo é monitorado com exames ultrassonográficos.

Coleta dos óvulos e do sêmen

Em seguida, depois que os folículos ovarianos crescem até o estágio adequado e a paciente recebe medicação para indução da ovulação, os folículos são aspirados. Cada um deles contém um óvulo que é coletado e enviado para análise.

Nessa etapa, uma amostra de sêmen também é coletada e passa por processamento com métodos que possibilitam a seleção dos espermatozoides com potencial de fertilização, aqueles que apresentam boa motilidade e morfologia adequada.

Fertilização dos óvulos

Com os gametas femininos e masculinos preparados, realiza-se a fertilização em laboratório. Isso é feito com a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), técnica em que cada espermatozoide é injetado dentro de um óvulo com o auxílio de um microscópio e um instrumento de micromanipulação.

Cultivo embrionário

Os embriões gerados ficam em incubadora durante o período de cultivo. É um equipamento de alta tecnologia preparado com características similares às da tuba uterina, onde a fecundação acontece naturalmente.

Tradicionalmente, os embriões são avaliados no D1 para detectar se o óvulo foi fertilizado pelo espermatozoide e no D5 para avaliar quantos deles chegaram ao estágio de blastocisto (estágio em que o embrião é transferido para o útero ou congelado). Vale ressaltar que alguns embriões podem chegar ao estágio de blastocisto até o sétimo dia de cultivo. Algumas incubadoras permitem aquisição de imagens do embrião sem retirá-los do ambiente controlado, possibilitando acompanhar o pré-desenvolvimento dos embriões e identificar quais deles terão potencial para se implantar no útero.

Transferência dos embriões para o útero

A última e mais esperada etapa da FIV é a transferência dos embriões para o útero. Isso pode ser feito no mesmo ciclo em que eles foram gerados (transferência a fresco) ou após um período de congelamento. A escolha do protocolo é individualizada.

Além das etapas principais, a FIV pode envolver procedimentos e técnicas complementares, como: ovodoação e ovorrecepção, doação de sêmen, barriga solidária, biópsia embrionária, teste genético pré-implantacional, avaliações pela inteligência artificial, entre outros recursos.

Se você está enfrentando dificuldades para engravidar, procure ajuda médica especializada. A FIV é uma técnica com altas taxas de sucesso e pode ser o caminho para a realização do seu sonho de gravidez. Entretanto, essa indicação talvez nem seja necessária, pois, primeiramente, é preciso passar por uma avaliação detalhada para saber qual é o melhor caminho para cada casal.

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